
E o que são os dias se não o livro em branco da vida?!
Escrever cada página com intensidade, cada capítulo com sabedoria e entender que final totalmente feliz só existe em contos de fadas.
Faça então, do seu livro, uma história sem fim!
Para parafrasear emoções, pensamentos e opiniões que envolvam cultura, música, jornalismo e arte!
Foi aí então que escolhi ficar atrás da coxia
Vendo as cores fortes daquela elaborada iluminação perder a força atrás do pano preto e do cenário
Não quis perder quilos ao transpirar
Recusei protagonizar
Estrear
Ouvir um sonoro “Merda” antes das três batidas de Stanislavski
Não tolerei a sensibilidade que eu mesma exigia de mim para dar vida a eles
Não os escutei me chamando de louca
Fugi de cada personagem
Concentrei no ruído, na interferência. Peguei carona com o previsível
Me aproximei do óbvio, flertei com a rotina e me casei com o acaso
Tivemos filhos. Vários!
Que saudade daquele tempo em que o palco era o meu lar, os aplausos meu alimento, os personagens meus amigos, o espetáculo minha vida!
Eu fui atriz!
Mas nunca tanto como agora
Presa a este devaneio, sinto saudade corrosiva daquilo tudo que um dia pude ser
Hoje seguro o figurino com cheiro de guardado
Me despi de mim e nem mais na coxia tolero estar
Sou hoje tudo aquilo que nunca idealizei
Eu sou só. Medo da Ribalta.

Sei falar do que o Jazz me causa, talvez porque é o que mais me faz apurar minha habilidade de admiradora total de quem escuta, mas não sabe tocar.
Adoro a imprevisibilidade do improviso, de memorizar facilmente os acordes base dos temas já conhecidos dos grandes nomes como "Chick Corea" e seu incrível tema “Spain”. Mas o que mais me fascina no jazz é que cada músico imprime sua identidade nos improvisos (o que também me faz gostar mais de uns que de outros).
É no jazz que consigo ver mais claramente a inteligência musical de quem toca. Da quantidade de acordes que o cara faz e eu não consegui acompanhar, mas sei que foi genial.
Comecei bem, escutando os clássicos da MPB, bossa nova e bom rock nacional (aqueles que não compõem com três acordes), depois fui conhecendo a música instrumental, o jazz e o blues, e sempre gostei do casamento letra + melodia, acho sinceramente que uma complementa a outra. Agente nunca sabe quando foi a primeira vez que escutou aquele cara, aquele tema, aquela música. Mas lembra que procurou no myspace, no Google, na comunidade de discografias do orkut para tentar ver se os outros sons do álbum são tão bons ou melhores do que aquele que escutei neste algum lugar que nunca me lembro. Não sei tocar, mas sei escutar. Portanto, abaixo, duas dicas do que tenho escutando atualmente, que estranhamente me influenciam no que sou, no que ainda não sou e no que quero ser (em todos os sentidos).
Pra começar a série “Músicas para quem não sabe tocar” indico dois CDs brasileiríssimos, de dois caras que muito bebem na fonte do jazz contemporâneo:
- CD Arthur Maia– 1996
Porque é Superbacana?
Baixista das antigas no cenário instrumental brasileiro, Arthur Maia tem um estilo de fundir o jazz com um groove brasileiro, imprimindo em suas músicas um balanço gostoso e músicas muito melodiosas.
Minha dica:
Faixas 1 e 3 ( “Sonora” e “Alpha”)
Conheça o cara: www.myspace.com/arthurmaia
- CD Dwitza -Ed Motta -2002
Porque é Superbacana?
Primeiro porque é Ed Motta, segundo, porque o cara sai um pouco do pop, para viajar em experiências com instrumentos estranhos, vocalizações não menos estranhas, mas que sem dúvidas, mostra como em nenhum outro disco, sua bagagem musical e seu gosto apurado pelo jazz.
Minha dica:
Faixas 5 e 14 ( “Lindúria” e “Instrumetida”)
Entre as três, ela escolheu a porta do meio, a sem adornos.