terça-feira, 20 de março de 2012

O Circo está desmontando


Não, meu caro brasileiro, você não está num país em ascensão. Você está comprando gato por lebre. Esse discurso maquiado de que somos a 6ª economia do mundo só serve para te manter saciado e imobilizado. Os 2,7% de crescimento que nos colocou neste ranking não chegam perto do que cresceu a média mundial, com 3,8% em 2011. Estamos dando passos largos para o buraco há pelo menos 10 anos, surfando nas ondas baixas do crescimento da econômico mundial, e comprando a imagem sem o dedo mindinho de um país que cresce, vendida por um marketing estruturado para enganar e calar. São 10 anos sem investimentos em infraestrutura. Não há malha viária, não há aeroportos de qualidade, não há portos que sustentam volumes de cargas para crescermos como devemos com as exportações. Não há saúde nem educação, piláres básicos para o desenvolvimento de qualquer país. Trabalhamos 5 meses só para pagar impostos.
O país está entrando em processo de desindustrialização. Somente na região metropolitana de Campinas, foram 650 demissões entre janeiro e fevereiro de 2012, segundo pesquisa da FACAMP. Empresas e indústrias estão fechando as portas por falta de competitividade, por excesso de tributação. É preciso reestruturar o país com reformas em todas, sim, todas as áreas que formam o custo Brasil, a começar por limpar aquilo que chamam de Congresso e todos os bandidos que se intitulam Excelentíssimos. Estão tapando o sol com a peneira e você, brasileiro, está ficando satisfeito com essa sombra cheia de furos, dizendo que assim está bom. Ou saímos do comodismo e lutamos pelas reformas tão necessárias ao país ou em breve estaremos afundados naquilo que nós mesmos nos omitimos em decidir e mudar. Vamos adiar até quando?!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

"Toque Dela"

É instantâneo, basta dar play no novo álbum de Marcelo Camelo para remeter o pensamento àquela brisa leve batendo ao rosto num fim de tarde na praia. O frescor da voz do ex Los Hermanos toma conta dos ouvidos nessa 2ª obra solo. “Toque Dela” é um cd para dias de paz, e não melancólicos como seu 1° cd lançado em 2008, “Sou”.

São 10 faixas autorais e inéditas. Camelo mantém seu favoritismo pelos arranjos com metais bem elaborados, vezes intensos, oferecendo letras singelas e delicadas. “Toque Dela” tem ainda as participações do cartunista André Dahmer na música “Três Dias” e a do instrumentista Marcelo Jeneci.

O guitarrista e compositor carioca, que agora está na terra da garoa, não tem grande desempenho vocal, seu timbre é sereno, porém coeso e afinado. Faixa por faixa, o sentimento é de comoção e vontade de abrir um leve sorriso. Declarações de amor, saudade e o mar são presenças fortes nas letras, que oferece também uma pincelada na regionalização com a música “Despedida” feita para cantora Maria Rita, e que brinca com a música conhecida pela voz de Caetano Veloso, Marinheiro Só.

Camelo se intitula um músico eclético, que escuta de tudo, e diz que seu trabalho sempre estará na contramão do que todos estão fazendo. O fato é que ele conseguiu. “Toque Dela” é uma obra versátil e diferente de tudo o que os novos nomes da MPB estão produzindo. Vale a pena escutar.

TOQUE DELA – MARCELO CAMELO
1. A Noite
2. ô ô
3. Tudo Que Você Quiser
4. Acostumar
5. Três Dias
6. Pra Te Acalmar
7. Vermelho
8. Pretinha
9. Despedida
10. Meu Amor é teu

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Pulei no buraco de Alice



Não. Eu não pulei ali correndo atrás do coelho atrasado. Pulei porque achei que a queda livre poderia me causar alguma catarse, e sei que, em breve, me encontrarei com todas àquelas criaturas antropomórficas interessantes quando alcançar a segurança do chão. Mas o buraco parece ser profundo e a queda, pelo visto, será demorada. Sempre tive medo de grandes adrenalinas. Pulei neste buraco, mas não saltaria de paraquedas. Sou medrosa, prefiro as desventuras, as sensações seguras. Nunca gostei de parque de diversões nem de filmes de terror. Percebe como sou medrosa?! Mas pulei aqui neste buraco e estou em queda. Sinto-me desprotegida. É quase um parto. Cortaram-me o cordão umbilical novamente, ou eu mesma cortei?! Quero a sensação reconfortante do colo daquela que me gerou.
Por que não consigo me divertir com a sensação de quase voar?! Não relacionam isto com a grande sensação de liberdade?! Em trechos do buraco existem espelhos, mas eu não me reflito neles, vejo outras pessoas quando me olho. Onde estou eu nesses espelhos?! Quando brevemente consigo me ver, me vejo menina, dentes de leite. Ouço risadas ao longe?! Quem são e do que estão rindo?! Minha insegurança sugere que pode ser de mim. Será que estou caindo de jeito desengonçado?! Meu cabelo está bagunçado?! Mas qual a importância disso tudo aqui neste buraco?! Por que penso nisso em queda livre?! Quando por instantes consigo relaxar, sinto um prazer querendo me invadir, mas outros pensamentos tratam de ocupar o lugar desta sensação. Sinto vergonha de mim, dos outros.
Vou me entediando. Eu e a minha constante insatisfação quando uma expectativa não é cumprida. E justo agora o gato bizarro passa por mim com aquele sorriso debochado, crítico. Então começo a pensar como será assim que chegar lá no mundo fantástico descrito por Lewis Carrol. Quero uma análise com a lagarta e ao invés de chá, um bom porre ao lado do Chapeleiro Maluco e seus amigos. Penso no lá. Penso no que dizer a eles. Quero causar boa impressão. Quero que eles gostem de mim. Quem sabe não me convidam pra ficar. Não quero passar pela parte da Rainha e nem o “cortem a cabeça dela”, mas será possível me livrar desta parte desagradável?! É possível ficar somente com a parte boa da viagem?! Olha o gato de novo!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O dia em que ganhei um relicário da Sagrada Família


O relicário é um lugar feito para guardar algo precioso. Faz referência à relíquia. Mamãe tem feito artesanatos. Começou achando que aquelas pequenas caixinhas enfeitadas e adornadas com chita, fitinhas e santinhos, fossem pequenos oratórios, mas não, descobriu que são relicários. Longe de casa a mais de uma semana, na verdade a mais de seis meses, voltei para abraçar minha mãe numa circunstância não agradável pra ela, nem para mim nem para família. Ela, forte e carinhosa mesmo abalada com o diagnóstico deixou preparada, em cima da minha cama, várias peças que ela produziu. Ali estavam imãs de geladeira com personagens de cinema (que adoro), chaveiros personalizados também lindos, presilhas de cabelo e 3 relicários. Cada um com uma imagem sendo devidamente homenageada. Olhei para o que tinha então, a imagem de um homem, uma mulher e uma criança ao colo. Como não sou católica, nada sei sobre imagens ou santos. Mas aquele relicário em especial, me agradou. Quando encontrei minha mãe, no meio do abraço caloroso, do olhar pesaroso, mas motivador uma para outra dizendo: “vamos sair dessa”, ela perguntou se tinha escolhido meu presentinho. Disse então, que tinha escolhido aquele com 3 imagens. Ela disse: “A Sagrada Família?!"
-Hum, então chama-se a Sagrada Família. Bacana,eu disse.
Naquele mesmo dia a casa se encheu, visita atrás de visita. Família grande, que se solidariza em momentos difíceis. E então me peguei pensando: Como é importante este calor, este carinho, este afeto. Como é bom se conectar com gente da gente, o primo, a tia, a avó, a tia avó e saber que ali, todo mundo tem um laço mais que afetuoso é sanguíneo.
Voltei pra Campinas e coloquei meu relicário ali, em cima da escrivaninha, num lugar visível. Todos os dias antes de dormir olho para aquela peça de artesanato feita pela minha mãe e lembro como minha família é sagrada, é relíquia a ser guardada a sete chaves. Eles são parte de mim. São minhas memórias eternas e mais agradáveis. Tenho rezado olhando para aquele relicário. Peço ao meu Deus e a todos os espíritos de luz que protejam, iluminem e concedam saúde e paz a todos os que amo e principalmente a minha família querida. O dia em que ganhei meu relicário da sagrada família, não foi um bom dia. Mas mudou meus dias para melhor e me lembra como a minha é importante e fundamental.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Síndrome da Imaturidade Permanente acomete 8 entre 10 mulheres, diz pesquisa


Conhecido também por Vírus da Boçalidade, o mal acomete mulheres, com idade entre 15 e 30 anos, em sua maioria solteiras, inseguras e mal instruídas, com curso superior incompleto e empurrado com a barriga. Os dados são de pesquisa recém realizada e divulgada pelo “Instituto de Análises Comportamentais Imbecis” de Marte e comprova que 8 em cada 10 mulheres nesta idade, sofrem do mal. A pesquisa ainda revela que a síndrome é recente e vem sendo diagnosticada nos últimos 10 anos, resultado da massificação dos meios de comunicação 2.0, redes sociais e a falta de leitura.
Os principais sintomas da síndrome são: insegurança voraz,carência excessiva, erros de português na escrita e na fala, uso de gírias, o gosto por novelas e personagens do Zorra Total, presença constante em festas de rodeio e funk, uso abusivo de bebidas de quinta categoria pagas por terceiros, sexo a revelia praticado só para contar para as amigas como ela é desejada, repetição constante de frases como: “homem é tudo vagabundo” além de forte intolerância à diversidade.
De acordo com o idealizador da pesquisa, a síndrome também afeta o comportamento no trabalho caracterizando-se pelas constantes risadas fora de hora ou quando o líder lhe pede algo simples, a valorização excessiva de seu trabalho diário, a cara de bunda quando o mesmo líder lhe pede algo que esteja fora da descrição de seu cargo, irritabilidade causada pelo bloqueio do MSN no computador da empresa e constante discurso de que está cansada.
Para o médico e pisicanalista Freud Jr., se diagnosticada a tempo, a síndrome tem cura e deve ser tratada durante toda a vida com uso permanente de boa leitura e terapia. Em estágios avançados, detectados em sua maioria em mulheres próximas dos 30 anos, o médico diz ser necessário intensificar as doses de leitura e incluir ao tratamento sessões de apreciação de boa música e autocrítica.
“A síndrome da imaturidade permanente, entre outras doenças, são conhecidas como o mal do século e precisam ser tratadas, muitas vezes, durante toda a vida. Muitas pacientes demoram a aceitar que estão com a síndrome. O mais importante é, que assim que diagnosticada, a paciente procure um especialista,” finaliza Freud Jr.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Na quarta. O meio insosso da semana


Eles vieram de bicicleta. Juntos.
Ele de chapéu panamá, camisa de linho e cara de quem sabe todas de Chico Buarque.
Ela calça hippie, conga no pé, cabelo encaracolado e ar fresco.
Adoráveis, adentraram ao boteco com o ponto de ônibus atracado à sua porta.
Ali, as pessoas muito pouco chegam, elas quase sempre estão indo.
A cerveja desceu redonda no primeiro gole solitário, sem brinde.
As amigas estão no cinema. Chegam logo mais.
Ao fundo um som old times. Cantarolo e dou risada de pensar o que estão pensando desta mulher sentada sozinha num bar de confraternizações. Não que eu me importe com os julgamentos, só me divirto com os clichês pensados.

Chegam as amigas. “Matias, alivia que o Che Guevara tá entrando sem colete”. Reproduzo a fala do filme ao qual saíram extasiadas.
Sorriso largo.
Abraço apertado. Cerveja no copo. Brinde.
A mesa cresce. O papo fica eufórico.
Bebidas, mundo, relacionamentos, viagens, cotidiano, trabalho, vida. Risadas. E pronto, foram exorcizados os demônios. Tudo isso na quarta, o meio insosso da semana. No boteco. Com o ponto de ônibus atracado à sua porta.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

"Átame " A linha fina que amarra o amor ao absurdo


Não há um filme sequer na carreira do diretor e roteirista espanhol Almodóvar, que não dialogue com o espectador sobre questões profundas da existência humana. É possível navegar em mares turbulentos, profundos e desconhecidos de um cotidiano muitas vezes bizarro de seus personagens.
São histórias possíveis, pinceladas por detalhes a primeira vista insanos.

Átame, de 1990, mostra dois personagens de fragilidade antônima. De um lado, Marina Osório interpretada por Victoria Abril, vezes protagonista de filmes pornográficos, viciada em drogas, agora atuando em uma produção burlesca de 2º classe, num filme de terror. É uma mulher que frequentemente flerta com a voluptuosidade, perdida em sua identidade. Do outro, Rick (Antônio Banderas) recém saído de um sanatório, inebriado pela vontade incompreendida de viver um romance com a atriz, conhecida de seu passado. Ele idealiza Marina como sua esposa e mãe de seus filhos, uma figura sensível em busca da realização amorosa que nunca havia experimentado.

Ao se sentir rejeitado após uma visita aos estúdios onde Marina grava o triller, Rick rapta seu objeto de desejo, Marina, sucumbindo seus instintos de sobrevivência. Vidrado no propósito de convencê-la de que ele é o grande amor de sua vida, acredita na normalidade de constituir uma família com a atriz, mantendo-a atada a uma cama.

A trama aparentemente simples, nos faz refletir constantemente sobre a linha fina que amarra o amor ao absurdo. Sempre prestes a arrebentar, porém as vezes tão firme como uma muralha. E é neste paradigma que Marina se atira, para viver uma história de amor fulminante, cheia de descobertas e conflitos internos. Andando na corda bamba do amor/absurdo possível, aquele é o único que lhe parece verdadeiro.

O filme é classificado como drama. Ao meu ver, um romance singular, surpreendente e saboroso.

A trilha sonora é de ninguém menos que Ennio Morricone, arranjador, compositor e maestro italiano, criador de trilhas sonoras inesquecíveis como as dos clássicos “Era uma vez no oeste”e “Cinema Paradiso” e do recente “Bastardos Inglorius” de Tarantino. A trilha dá ao filme suas tonalidades de humor e tensão, paixão e loucura, todas misturadas e amarradas à cama, entre Rick e Marina.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

"Pro nenê nanar" A música como extensão do embalo materno e construção da identidade


Quando o filósofo e antropólogo Claude Lévi-Strauss afirmou em um de seus livros que “ao ouvirmos música, e enquanto a escutamos, atingimos uma espécie de imortalidade”, ele colocou a música como uma das criações sublimes do ser humano, fundamentais para o processo de socialização, crescimento intelectual e desenvolvimento da sensibilidade.

Em tempos modernos, onde a característica latente da sociedade é o interesse individual, a competitividade, a escassez de tempo com a família e a velocidade de informação (fragmentada), é preciso entender que o processo de crescimento e construção de um indivíduo vai além dos aspectos físicos ou intelectuais (cognitivos), sendo necessário levantar questões tão complexas quanto às da maturação biológica, voltando o olhar para aspectos do amadurecimento afetivo e social.

E é nesta vertente que a música assume um papel múltiplo e se torna grande aliada na criação de uma identidade sólida, que envolve a construção de seres humanos mais sensíveis e empáticos. Este processo, de acordo com pesquisas realizadas particularmente nas décadas finais do século XX, pode ser iniciado quando o bebê está ainda no útero materno e já desenvolve reações a estímulos sonoros.

Após o nascimento e muito antes de se constatar através de pesquisas que os bebês tendem a permanecer mais calmos quando expostos a uma melodia serena, nossos antepassados já percebiam que colocar um bebê do lado esquerdo do peito, deixava-o mais calmo. A explicação científica é que, nessa posição, ele sente as batidas do coração de quem o está segurando, o que remete ao que ele ouvia ainda no útero, isto é, o coração da mãe.

A partir daí, a música cria uma forma de extensão do embalo materno, que de acordo com a psicopedagoga, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Quézia Bombonatto, “é muito importante para todo o desenvolvimento psicomotor, para o sistema neurológico e do equilíbrio da criança”.

Quézia Bombonatto destaca que para muito além da função primitiva de tranquilizar a criança e fazê-la dormir, a mãe canta para acalentar e oferecer aconchego. “Por meio da música, esse sentimento de proteção é captado pelo bebê. É um estímulo valioso para o desenvolvimento porque a criança começa a identificar, desde muito cedo, a voz e a entonação do pai e da mãe”, explica. A psicopedagoga ainda ressalta que os bebês aprendem sobre a cultura dos pais pelo repertório musical. “As escolhas revelam temperamentos e demonstram valores e gostos”, finaliza.

Desta maneira, conseguimos perceber também a importância da construção individual da criança através da música, isto é, do aprendizado das regras sociais. Cantigas de roda proporcionam a interação com outras crianças de forma lúdica, sugerindo a vivência de situações de perda, de escolha, de dúvida ou de alegria através das letras.

No Brasil, o selo musical “Palavra Cantada”, criado em 1994 pelos músicos Sandra Peres e Paulo Tatit marcou o cenário da música infantil com o CD “Canções de Ninar” que retoma a ludicidade e a poesia das cantigas de roda, porém sem perder a modernidade e o contexto em que estão inseridas as crianças de hoje.


“Palavra Cantada”
Música lúdica e poética pra criança nenhuma botar defeito


Foi com total cautela e inspiração que os músicos Sandra Peres e Paulo Tatit subverteram o mundo através do selo Palavra Cantada com novas canções para crianças, respeitando a inteligência e a sensibilidade dos miúdos, que quase sempre possuem um universo particular e infindável de imaginação.
A Palavra Cantada conta hoje com 20 títulos em seu catálogo, entre CDs e DVDs e vem sendo aclamada pelo público e pela crítica do país como um trabalho diferenciado dentro da cultura musical.
Quatro dos dez trabalhos já lançados pela dupla ganharam o prêmio Sharp de melhor álbum infantil. Destaque para o primeiro CD “Canções de Ninar”, que revolucionou o cenário da música infantil brasileira. Considerado um clássico, as 22 canções encontradas no álbum é um deleite para filhos e pais. De forma renovada, porém mantendo o velho encanto das cantigas de ninar, as canções retratam a odisseia diária de pais e filhos no momento de dormir. Com graça e singeleza, letra e melodia se entrelaçam para falar da noite, do sonho, dos medos e anseios do mundo infantil.
O CD conta com participações especiais de importantes músicos, como Ná Ozzetti, Arnaldo Antunes, Mônica Salmaso, Zé Tatit, Pedro Mourão entre outras figuras inusitadas do mundo alternativo da música brasileira.
O selo Palavra Cantada já é utilizado em diversas escolas do país como ferramenta de aprendizado tanto nas disciplinas curriculares quanto para aulas de musicalização.

Discografia: “Canções de Ninar” (1994), “Canções de Brincar” (1996), “Cantigas de Roda” (1996), “Canções Curiosas” (1998), “Mil Pássaros” (1999), “Noite Feliz” (1999), “Canções do Brasil” (2001), “Meu Neném” (2003), “Palavra Cantada 10 anos” (2004), “Pé com Pé” (2005), “Carnaval Palavra Cantada” (2008), “Canciones Curiosas – palabra cantada en español” (2008), “Palavra Cantada Tocada”(2008).



Fontes:

NOGUEIRA, M. A. - A música e o desenvolvimento da criança. Revista da UFG, Vol. 5, No. 2, dez 2003 on line

Blog Educar e Cuidar – texto “Canção de ninar é importante para o desenvolvimento infantil”

Site Palavra Cantada – www.palavracantada.com.br

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A recompensa


Todos os dias antes de dormir, beijo a tela do celular num gesto romântico quase patético. Na tela, uma foto nossa onde realmente sinto o gosto doce do beijo real.

Tenho privilégios, pois fecho os olhos e em segundos viajo pro cheiro inconfundível do seu peito. Me divirto com suas manias, seus rituais quando chega em casa após um dia longo de trabalho.

Eu que nunca me deixei seduzir pela rotina, vivo querendo estar dentro da sua. Porque é nela que descubro suas particularidades e me permito sentir que cada vez mais, faço parte de você.

Somos a recompensa um do outro. A porta que dá acesso ao melhor de nós mesmos. Só com você consigo não pensar na obviedade do cotidiano.

Vou continuar beijando a tela do celular!
Na tentativa de manter sempre o frescor da sensação do beijo da foto.
Como um bicho inocente e instintivo, continuarei cumprindo a tarefa árdua de conviver com o mundo aqui fora, para ter a certeza condicional de que a minha recompensa pelo sacrifício, é ter você!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Aquele falso brilhante


Sou uma covarde.
Parasita da rotina e da desculpa permanente da “falta de oportunidade”.

Sou um engodo. Uma farsa. Aquele falso brilhante de Elis.
Me divido entre lamentar o existir insosso e a felicidade provinciana de quem vive um bom amor. Sou uma blasfemia. Um sorriso morno tipo madame botox.
Fiz escolhas. Pago por elas tendo dimensão da burrada ou não.

Completa mentira!
Eu nem sabia o que era ideologia.
Fugi pela tangente que parecia convincente.
Para outros talvez.
Pior mentira é aquela contada pra si mesma.
Repeti tantas vezes que quase me convenci que era verdade.
Mas a dúvida permanece, como agulha de acupuntura.
Fina, latente.

Conforme-se. Você não tem coragem de mudar.
Você se deixa influenciar.
Vai fazer o que agora?
Sou um engodo. Uma farsa. Aquele falso brilhante de Elis.

segunda-feira, 1 de março de 2010

E errar não é humano?!


Preciso descobrir onde estou me equivocando!
Minhas tentativas são todas em vão, nunca sei quando agrado, mas faço de bom grado.
Nunca sei se alcanço e olha que me estico ao máximo.
As coisas me vêem com uma intensidade que quase sempre não me cabem.
Sinto demais, sofro demais, demonstro demais.
Também preciso descobrir quando parar de sentir tanto.
Dramas. Tudo literal. Eu literando..
Tenho medo de descobrir que se parar de sentir posso perder minha essência.Se é que isso é possível. Seder, e ser o que outros querem que eu seja.
Não sei até quando posso aguentar, até onde vai a corda sem arrebentar.
Zelo pelos meus sentimentos pois acho que é o que tenho de mais nobre.
Tomo cuidado para mantê-los límpidos quase inocentes, sem muita malícia, pessímismo ou raiva.
Mas peco em tamanho zelo, são nobres os sentimentos verdadeiros e não os polidos.
Os que vem a tona, sem medidas, sem explicações, são os que me comovem de fato.
Ando cometendo equívocos.
Quem não consegue não me compreende.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Literavida


E o que são os dias se não o livro em branco da vida?!

Escrever cada página com intensidade, cada capítulo com sabedoria e entender que final totalmente feliz só existe em contos de fadas.

Faça então, do seu livro, uma história sem fim!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Para Menino Fernando

Esta noite jantei com o silêncio
Tenho mantido durante a semana, diálogos constantes com as palavras distância e saudade
Elas também jantam comigo..
Ocupam a mesa mesmo sem serem convidadas.. não tenho escolhas, são elas que me fazem companhia agora

Estou aprendendo a conviver com o silêncio que me consome quando a noite chega e nao tenho voce por perto, com a saudade que me persegue antes de dormir e com a distância que não me deixa recorrer ao seu amor, quando é quase sufocante ficar sem você..

Aprendendoa conviver. Mas jamais a me acostumar!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Eu Ribalta


Foi aí então que escolhi ficar atrás da coxia

Vendo as cores fortes daquela elaborada iluminação perder a força atrás do pano preto e do cenário

Não quis perder quilos ao transpirar

Recusei protagonizar

Estrear

Ouvir um sonoro “Merda” antes das três batidas de Stanislavski

Não tolerei a sensibilidade que eu mesma exigia de mim para dar vida a eles

Não os escutei me chamando de louca

Fugi de cada personagem

Concentrei no ruído, na interferência. Peguei carona com o previsível

Me aproximei do óbvio, flertei com a rotina e me casei com o acaso

Tivemos filhos. Vários!

Que saudade daquele tempo em que o palco era o meu lar, os aplausos meu alimento, os personagens meus amigos, o espetáculo minha vida!

Eu fui atriz!

Mas nunca tanto como agora

Presa a este devaneio, sinto saudade corrosiva daquilo tudo que um dia pude ser

Hoje seguro o figurino com cheiro de guardado

Me despi de mim e nem mais na coxia tolero estar

Sou hoje tudo aquilo que nunca idealizei

Eu sou só. Medo da Ribalta.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Música para quem não sabe tocar


Fico aqui, morrendo de vontade de ser tão geniosa musicalmente como caras que eu admiro tanto e que tanto me comovem quando ouço. Fico também me perguntando como se dá o gosto musical, o que faz os ouvidos agradecerem certas melodias e outras não. Melhor explicando, porque simpatizo mais com o Jazz do que com o Blues, por exemplo?!

Sei falar do que o Jazz me causa, talvez porque é o que mais me faz apurar minha habilidade de admiradora total de quem escuta, mas não sabe tocar.

Adoro a imprevisibilidade do improviso, de memorizar facilmente os acordes base dos temas já conhecidos dos grandes nomes como "Chick Corea" e seu incrível tema “Spain”. Mas o que mais me fascina no jazz é que cada músico imprime sua identidade nos improvisos (o que também me faz gostar mais de uns que de outros).

É no jazz que consigo ver mais claramente a inteligência musical de quem toca. Da quantidade de acordes que o cara faz e eu não consegui acompanhar, mas sei que foi genial.

Comecei bem, escutando os clássicos da MPB, bossa nova e bom rock nacional (aqueles que não compõem com três acordes), depois fui conhecendo a música instrumental, o jazz e o blues, e sempre gostei do casamento letra + melodia, acho sinceramente que uma complementa a outra. Agente nunca sabe quando foi a primeira vez que escutou aquele cara, aquele tema, aquela música. Mas lembra que procurou no myspace, no Google, na comunidade de discografias do orkut para tentar ver se os outros sons do álbum são tão bons ou melhores do que aquele que escutei neste algum lugar que nunca me lembro. Não sei tocar, mas sei escutar. Portanto, abaixo, duas dicas do que tenho escutando atualmente, que estranhamente me influenciam no que sou, no que ainda não sou e no que quero ser (em todos os sentidos).

Pra começar a série “Músicas para quem não sabe tocar” indico dois CDs brasileiríssimos, de dois caras que muito bebem na fonte do jazz contemporâneo:

- CD Arthur Maia– 1996

Porque é Superbacana?

Baixista das antigas no cenário instrumental brasileiro, Arthur Maia tem um estilo de fundir o jazz com um groove brasileiro, imprimindo em suas músicas um balanço gostoso e músicas muito melodiosas.

Minha dica:
Faixas 1 e 3 ( “Sonora” e “Alpha”)

Conheça o cara: www.myspace.com/arthurmaia


- CD Dwitza -Ed Motta -2002

Porque é Superbacana?

Primeiro porque é Ed Motta, segundo, porque o cara sai um pouco do pop, para viajar em experiências com instrumentos estranhos, vocalizações não menos estranhas, mas que sem dúvidas, mostra como em nenhum outro disco, sua bagagem musical e seu gosto apurado pelo jazz.

Minha dica:

Faixas 5 e 14 ( “Lindúria” e “Instrumetida”)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A porta do meio

Entre as três, ela escolheu a porta do meio, a sem adornos.
Entrou.
Olhou em volta e num mergulho sensato percebeu que era a porta errada.
- É que as outras duas estavam “enfeitadinhas” demais, pensou.

Desconfiou, pois a insanidade do cotidiano jurou que tudo que é bonitinho, alegrinho, enfeitadinho, não é real. É diminutivo.
Dentro daquele lugar lembrou da justificativa torpe pra si mesma. Sentiu-se tola, seca.
E viu que talvez o diminutivo dos enfeites das portas ao lado é que a faria se sentir mais ela.
Naquele lugar só janelas antigas, que rangiam quando se abriam.
A paisagem era confusa, como se um míope estivesse olhando.
No canto direito uma mesa e uma cadeira , também antigas. Um papel já amarelado e um lápis comido pelo tempo.
- Se sentou. Imaginou o que teria nas outras duas portas.
Desesperou.
Catando as migalhas de si que se espalharam ao chão daquele lugar assim que entrou, descobriu que num passado remoto, ela construía artesanalmente seus enfeites para as portas que por ventura iriam se abrir.


Numa insuportável conclusão da escolha equivocada que fez, percebeu que havia escolhido a tangente óbvia de um labirinto retilíneo. Sem saídas, sem possibilidades e sem nenhuma verdade. Somente a verdade nua e crua de que aquela não era a porta certa.

- Bateram à porta.
Fingiu que não estava, afinal de contas não era mesmo ali que queria estar.
Sentiu-se mentirosa, envergonhada pela escolha errônea.
Já haviam descoberto seu equívoco.

Sentada na cadeira, relembrou seus adornos de pureza infantil e tola.

Olhou para o papel à mesa e percebeu que naquele ambiente onde tudo parecia muito velho e acinzentado, a única coisa que fazia sentido e parecia ter vida era o papel de cor amarelada.
E ali, com lápis comido pelo tempo e o papel desgastado, recomeçou a esboçar seus enfeites de outrora. De pureza infantil e tola, mas que em meio ao vazio daquele lugar de porta sem adornos, lhe trazia uma felicidade sem precedentes.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Da cor Anil



Que diferença faz se meu all star é cor de rosa, se meus olhos azuis, meu cabelo cor de uva e na boca azul anil?
É pra ignorar.
Qual a sua importância no meu vasto mundo imbecil? Resposta: Coitada! Agente não gosta dela. Ela já não faz parte das fotografias mexidas em photoshop tiradas “pousadamente” para dizer que você não estava lá. Não foi. Não teve o (des) prazer da nossa companhia.

Coitada de novo!Ela não faz parte, não compartilha é insolente, distraída , ingrata.

E eu digo: Fodam- se .
Há quem diga que minha pele continua a mesma , mas é que agora ando de cabeça baixa. O céu esta mais cinza, mais opaco, mais nublado. O tempo frio que esfria corações apaixonados por sol, remete a melancolia para alguns e ao romantismo para outros. Uns sonham acordados outros dormem pesado.

Paradigmas que não se rompem por preguiça, descaso com a vida com a vontade.
Até eu me perco no meu ego. Me perco entre as minhas confusões, minhas necessidades tolas. Tudo parece estático e preciso nutrir meu coração de fantasias de palhaço, pra que tudo vire festa de novo.

Talvez eu esteja potencializando minhas angustias, deixando de fato que elas tomem conta de mim. Mas é que já não tenho mais aquela visão otimista e divertida da vida. To tímida, como nunca fui antes.

O que não me intimidava antes me apavora agora, o que não me fascinava antes me inebria agora.

Não sou fria, não quero que me culpem por não ser mais a mesma . Mudei. De alguma forma a minha visão da vida é mais poética, mais sóbria . E eu, também posso errar.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Ser grato


E se a vida não me dá o que quero ou desejo, ainda sim agradeço por tudo o que tenho!!
Não porque meu amor ainda não veio,
Não porque não tenho todo o dinheiro,
Não porque as dificuldades e as decepções me aparecem.

Não por motivos tão tolos. Se não tenho, é porque ainda não é tempo.
Tempo este que voa como vento, que passa como uma brisa e logo cessa;
Não sei ao certo o que Deus me reserva, mas sou grata pelas alegrias, pelas decepções, pelos desgastes, pela recompensa, por tudo.
Nutrir a alma de otimismo as vezes me parece tolice. Algumas coisas e algumas pessoas insistem em me convencer que só estou me enganando e que a realidade é bem diferente.
Se sonho demais,
Se padeço demais?
Talvez!
O que sei é que assim sou feliz, que assim me faço feliz, que assim pareço feliz!!

Tenho muitas perguntas e poucas respostas.
Dúvidas sobre a vida, sobre os sonhos , sobre os mundos, sobre as pessoas.
Sinto medo constantemente de ser boa demais, boba demais e que de alguma maneira pareço ser.
É difícil acreditar nas pessoas, nos sentimentos , nas intenções.
É difícil suportar distância, falta de sensibilidade, maldade.
É muito difícil pra mim.
Mas eu acredito, eu confio, eu me empresto.
Por que assim vejo que além de mim existe o todo e que estar para o todo mesmo que este não me devolva o mesmo é gratificante.

A ingratidão fere mais que qualquer coisa, e este é meu maior medo, ser ingrata ao que a vida me proporciona, por mais tolo que isto pareça.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

É isto mesmo companheiros ( Ao Blog Day)



“Faça o que eu digo, mas não faça o que faço”, medíocre pensar que o exemplo se faz na palavra e não na atitude. Um comportamento defensivo e pequeno que não cabe na sinceridade e no caráter , mas que se repete com freqüência .

Não identifico realmente um motivo para isto, mas vejo como uma necessidade do ego de não admitir erros e deslizes. Talvez uma forma de justificar as virtudes não praticadas criticando, censurando e aconselhando o outro a não fazer o que ele próprio faz.
Que dificuldade é esta de admitir erros e assumi-los com personalidade? Porque não mudar ao invés de persistir com a hipocrisia???

Pergunta que não cala para uma classe em especial: a da política brasileira.
É difícil demais para egos inchados e petulantes. Para eles não se erra, disfarça.
Esconde, acovarda para então na primeira oportunidade, dar o falso exemplo.
Assim é a atitude de nossos governantes, que nos subestimam e usam da memória infelizmente curta do brasileiro ao que se refere a política, para se deleitar no exercício corrupto e transgressor da administração de nosso país.
A nossa democracia lamentavelmente veste uma máscara chamada hipocrisia.
E a fantasia de palhaço sempre sobra para a desmemoriada família brasileira.


quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Para tardes de chuva

Sutileza. Esta é a definição para o filme “A Good Year” baseado no livro de Piter Mayle, produzido e dirigido por Ridley Scott o ousado diretor de “O Gladiador”. Aos amantes do vinho, da França e de uma bela fotografia em filmes, “Um Bom Ano” é um prato cheio.
Max Skinner , interpretado por Russell Crowe é um executivo da bolsa de valores de Londres. Bem sucedido e embriagado pelo sucesso nos negócios se esquece de sua infância e seus valores essenciais.

Quando se vê na ocasião de voltar a terra onde nasceu e cresceu com a intenção de repassar a vinícola que herdou de seu tio é que se inicia uma sucessão de momentos nostálgicos e de contemplação à beleza da vida.

O cenário é bucólico e rústico, mas de extremo bom gosto. Um belíssimo vinhedo em Provença na França, próximo a uma cidadezinha charmosa e personagens tipicamente europeus.
Tomado por suas lembranças, Max vive um gostoso romance com seu passado e com a bela francesa Fanny Chenal, dona de um restaurante da pequena cidade.
O filme envolve entre outros detalhes saborosos, a arte da degustação do vinho, a riqueza de diálogos presenteados por um excelente roteiro e o leve humor inteligente e ácido do personagem de Crowe.

A trilha sonora assinada por Marc Streitenfeld, é deliciosa e passeia por peculiares músicas francesas e hits dos anos 50.
Uma história para assistir a dois, numa tarde chuvosa de sábado regada a vinho tinto seco fazendo acender a vontade de uma bela viagem à França.
Então, Bon Appetit.