Para parafrasear emoções, pensamentos e opiniões que envolvam cultura, música, jornalismo e arte!
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Para Menino Fernando
Tenho mantido durante a semana, diálogos constantes com as palavras distância e saudade
Elas também jantam comigo..
Ocupam a mesa mesmo sem serem convidadas.. não tenho escolhas, são elas que me fazem companhia agora
Estou aprendendo a conviver com o silêncio que me consome quando a noite chega e nao tenho voce por perto, com a saudade que me persegue antes de dormir e com a distância que não me deixa recorrer ao seu amor, quando é quase sufocante ficar sem você..
Aprendendoa conviver. Mas jamais a me acostumar!
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Eu Ribalta
Foi aí então que escolhi ficar atrás da coxia
Vendo as cores fortes daquela elaborada iluminação perder a força atrás do pano preto e do cenário
Não quis perder quilos ao transpirar
Recusei protagonizar
Estrear
Ouvir um sonoro “Merda” antes das três batidas de Stanislavski
Não tolerei a sensibilidade que eu mesma exigia de mim para dar vida a eles
Não os escutei me chamando de louca
Fugi de cada personagem
Concentrei no ruído, na interferência. Peguei carona com o previsível
Me aproximei do óbvio, flertei com a rotina e me casei com o acaso
Tivemos filhos. Vários!
Que saudade daquele tempo em que o palco era o meu lar, os aplausos meu alimento, os personagens meus amigos, o espetáculo minha vida!
Eu fui atriz!
Mas nunca tanto como agora
Presa a este devaneio, sinto saudade corrosiva daquilo tudo que um dia pude ser
Hoje seguro o figurino com cheiro de guardado
Me despi de mim e nem mais na coxia tolero estar
Sou hoje tudo aquilo que nunca idealizei
Eu sou só. Medo da Ribalta.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Música para quem não sabe tocar

Fico aqui, morrendo de vontade de ser tão geniosa musicalmente como caras que eu admiro tanto e que tanto me comovem quando ouço. Fico também me perguntando como se dá o gosto musical, o que faz os ouvidos agradecerem certas melodias e outras não. Melhor explicando, porque simpatizo mais com o Jazz do que com o Blues, por exemplo?!
Sei falar do que o Jazz me causa, talvez porque é o que mais me faz apurar minha habilidade de admiradora total de quem escuta, mas não sabe tocar.
Adoro a imprevisibilidade do improviso, de memorizar facilmente os acordes base dos temas já conhecidos dos grandes nomes como "Chick Corea" e seu incrível tema “Spain”. Mas o que mais me fascina no jazz é que cada músico imprime sua identidade nos improvisos (o que também me faz gostar mais de uns que de outros).
É no jazz que consigo ver mais claramente a inteligência musical de quem toca. Da quantidade de acordes que o cara faz e eu não consegui acompanhar, mas sei que foi genial.
Comecei bem, escutando os clássicos da MPB, bossa nova e bom rock nacional (aqueles que não compõem com três acordes), depois fui conhecendo a música instrumental, o jazz e o blues, e sempre gostei do casamento letra + melodia, acho sinceramente que uma complementa a outra. Agente nunca sabe quando foi a primeira vez que escutou aquele cara, aquele tema, aquela música. Mas lembra que procurou no myspace, no Google, na comunidade de discografias do orkut para tentar ver se os outros sons do álbum são tão bons ou melhores do que aquele que escutei neste algum lugar que nunca me lembro. Não sei tocar, mas sei escutar. Portanto, abaixo, duas dicas do que tenho escutando atualmente, que estranhamente me influenciam no que sou, no que ainda não sou e no que quero ser (em todos os sentidos).
Pra começar a série “Músicas para quem não sabe tocar” indico dois CDs brasileiríssimos, de dois caras que muito bebem na fonte do jazz contemporâneo:
- CD Arthur Maia– 1996
Porque é Superbacana?
Baixista das antigas no cenário instrumental brasileiro, Arthur Maia tem um estilo de fundir o jazz com um groove brasileiro, imprimindo em suas músicas um balanço gostoso e músicas muito melodiosas.
Minha dica:
Faixas 1 e 3 ( “Sonora” e “Alpha”)
Conheça o cara: www.myspace.com/arthurmaia
- CD Dwitza -Ed Motta -2002
Porque é Superbacana?
Primeiro porque é Ed Motta, segundo, porque o cara sai um pouco do pop, para viajar em experiências com instrumentos estranhos, vocalizações não menos estranhas, mas que sem dúvidas, mostra como em nenhum outro disco, sua bagagem musical e seu gosto apurado pelo jazz.
Minha dica:
Faixas 5 e 14 ( “Lindúria” e “Instrumetida”)
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
A porta do meio
Entre as três, ela escolheu a porta do meio, a sem adornos.Entrou.
Olhou em volta e num mergulho sensato percebeu que era a porta errada.
- É que as outras duas estavam “enfeitadinhas” demais, pensou.
Desconfiou, pois a insanidade do cotidiano jurou que tudo que é bonitinho, alegrinho, enfeitadinho, não é real. É diminutivo.
Dentro daquele lugar lembrou da justificativa torpe pra si mesma. Sentiu-se tola, seca.
E viu que talvez o diminutivo dos enfeites das portas ao lado é que a faria se sentir mais ela.
Naquele lugar só janelas antigas, que rangiam quando se abriam.
A paisagem era confusa, como se um míope estivesse olhando.
No canto direito uma mesa e uma cadeira , também antigas. Um papel já amarelado e um lápis comido pelo tempo.
- Se sentou. Imaginou o que teria nas outras duas portas.
Desesperou.
Catando as migalhas de si que se espalharam ao chão daquele lugar assim que entrou, descobriu que num passado remoto, ela construía artesanalmente seus enfeites para as portas que por ventura iriam se abrir.
Numa insuportável conclusão da escolha equivocada que fez, percebeu que havia escolhido a tangente óbvia de um labirinto retilíneo. Sem saídas, sem possibilidades e sem nenhuma verdade. Somente a verdade nua e crua de que aquela não era a porta certa.
- Bateram à porta.
Fingiu que não estava, afinal de contas não era mesmo ali que queria estar.
Sentiu-se mentirosa, envergonhada pela escolha errônea.
Já haviam descoberto seu equívoco.
Sentada na cadeira, relembrou seus adornos de pureza infantil e tola.
Olhou para o papel à mesa e percebeu que naquele ambiente onde tudo parecia muito velho e acinzentado, a única coisa que fazia sentido e parecia ter vida era o papel de cor amarelada.
E ali, com lápis comido pelo tempo e o papel desgastado, recomeçou a esboçar seus enfeites de outrora. De pureza infantil e tola, mas que em meio ao vazio daquele lugar de porta sem adornos, lhe trazia uma felicidade sem precedentes.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Da cor Anil

É pra ignorar.
Qual a sua importância no meu vasto mundo imbecil? Resposta: Coitada! Agente não gosta dela. Ela já não faz parte das fotografias mexidas em photoshop tiradas “pousadamente” para dizer que você não estava lá. Não foi. Não teve o (des) prazer da nossa companhia.
Coitada de novo!Ela não faz parte, não compartilha é insolente, distraída , ingrata.
E eu digo: Fodam- se .
Há quem diga que minha pele continua a mesma , mas é que agora ando de cabeça baixa. O céu esta mais cinza, mais opaco, mais nublado. O tempo frio que esfria corações apaixonados por sol, remete a melancolia para alguns e ao romantismo para outros. Uns sonham acordados outros dormem pesado.
Paradigmas que não se rompem por preguiça, descaso com a vida com a vontade.
Até eu me perco no meu ego. Me perco entre as minhas confusões, minhas necessidades tolas. Tudo parece estático e preciso nutrir meu coração de fantasias de palhaço, pra que tudo vire festa de novo.
Talvez eu esteja potencializando minhas angustias, deixando de fato que elas tomem conta de mim. Mas é que já não tenho mais aquela visão otimista e divertida da vida. To tímida, como nunca fui antes.
O que não me intimidava antes me apavora agora, o que não me fascinava antes me inebria agora.
Não sou fria, não quero que me culpem por não ser mais a mesma . Mudei. De alguma forma a minha visão da vida é mais poética, mais sóbria . E eu, também posso errar.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Ser grato

Não porque meu amor ainda não veio,
Não porque não tenho todo o dinheiro,
Não porque as dificuldades e as decepções me aparecem.
Não por motivos tão tolos. Se não tenho, é porque ainda não é tempo.
Tempo este que voa como vento, que passa como uma brisa e logo cessa;
Não sei ao certo o que Deus me reserva, mas sou grata pelas alegrias, pelas decepções, pelos desgastes, pela recompensa, por tudo.
Nutrir a alma de otimismo as vezes me parece tolice. Algumas coisas e algumas pessoas insistem em me convencer que só estou me enganando e que a realidade é bem diferente.
Se sonho demais,
Se padeço demais?
Talvez!
O que sei é que assim sou feliz, que assim me faço feliz, que assim pareço feliz!!
Tenho muitas perguntas e poucas respostas.
Dúvidas sobre a vida, sobre os sonhos , sobre os mundos, sobre as pessoas.
Sinto medo constantemente de ser boa demais, boba demais e que de alguma maneira pareço ser.
É difícil acreditar nas pessoas, nos sentimentos , nas intenções.
É difícil suportar distância, falta de sensibilidade, maldade.
É muito difícil pra mim.
Mas eu acredito, eu confio, eu me empresto.
Por que assim vejo que além de mim existe o todo e que estar para o todo mesmo que este não me devolva o mesmo é gratificante.
A ingratidão fere mais que qualquer coisa, e este é meu maior medo, ser ingrata ao que a vida me proporciona, por mais tolo que isto pareça.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
É isto mesmo companheiros ( Ao Blog Day)

“Faça o que eu digo, mas não faça o que faço”, medíocre pensar que o exemplo se faz na palavra e não na atitude. Um comportamento defensivo e pequeno que não cabe na sinceridade e no caráter , mas que se repete com freqüência .
Não identifico realmente um motivo para isto, mas vejo como uma necessidade do ego de não admitir erros e deslizes. Talvez uma forma de justificar as virtudes não praticadas criticando, censurando e aconselhando o outro a não fazer o que ele próprio faz.
Que dificuldade é esta de admitir erros e assumi-los com personalidade? Porque não mudar ao invés de persistir com a hipocrisia???
É difícil demais para egos inchados e petulantes. Para eles não se erra, disfarça.
Esconde, acovarda para então na primeira oportunidade, dar o falso exemplo.
Assim é a atitude de nossos governantes, que nos subestimam e usam da memória infelizmente curta do brasileiro ao que se refere a política, para se deleitar no exercício corrupto e transgressor da administração de nosso país.
A nossa democracia lamentavelmente veste uma máscara chamada hipocrisia.
E a fantasia de palhaço sempre sobra para a desmemoriada família brasileira.